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Casas de 1 euro na Itália: como funciona de verdade

As casas de 1 euro existem, mas o euro é a menor parte da conta. Veja as regras reais dos editais, quanto custa reformar e por que quase sempre sai mais barato comprar uma casa pronta por 30 mil.

Equipe Brasilità4 min de leitura

"Casa de 1 euro na Itália" é a busca que mais aparece quando alguém começa a pensar em comprar um imóvel lá. A manchete é verdadeira: existem, sim, comunes italianos vendendo casas por 1 euro. O que a manchete não conta é o que vem depois do euro, e é aí que a conta muda de tamanho.

Este texto é para você decidir com números na mão se esse caminho serve para o seu caso, ou se a sua ideia na verdade é outra.

O que é um edital de 1 euro

Municípios pequenos, quase sempre no interior do sul ou nas montanhas, perderam população nas últimas décadas. Casas vazias viram problema: desabam, pegam fogo, custam dinheiro público. A prefeitura então faz um acordo com os donos e coloca os imóveis à venda por 1 euro simbólico, com contrapartidas.

As contrapartidas variam de comune para comune, mas quase sempre incluem:

  • Prazo para reformar. Costuma ser de dois a três anos, contados da escritura, com projeto aprovado antes.
  • Caução. Um depósito que fica com a prefeitura até a obra terminar. Em muitos editais fica entre 2 mil e 5 mil euros, e você perde se não cumprir o prazo.
  • Obrigação de usar empresa local ou projeto de arquiteto habilitado. Nada de reforma por conta própria.
  • Às vezes, destinação. Alguns editais exigem que a casa vire residência, outros aceitam aluguel de temporada, e há os que proíbem revenda por cinco ou dez anos.

Nada disso é pegadinha. Está escrito no edital, em italiano, e é cumprido.

A conta que importa

O imóvel custa 1 euro. A compra, não. Mesmo numa casa de 1 euro você paga:

  • Notaio. O tabelião italiano é obrigatório em qualquer compra e cobra por ato, não por percentual. Numa transação pequena, a ordem de grandeza é de 1.500 a 2.500 euros.
  • Impostos de transferência. Incidem sobre o valor catastal do imóvel, não sobre o 1 euro. Numa casa antiga do interior costuma dar algumas centenas de euros, mas pode surpreender quando o catasto está desatualizado para cima.
  • Geômetra e projeto. Levantamento, planta, pedido na prefeitura. Difícil sair por menos de 2 mil euros.
  • A reforma. Aqui é que a conta acontece. Casa de 1 euro é, por definição, casa que ninguém quis: telhado comprometido, instalação elétrica dos anos 60, sem aquecimento, às vezes sem banheiro dentro. Reforma estrutural na Itália raramente sai por menos de 800 a 1.200 euros por metro quadrado. Numa casa de 80 m², isso é de 64 mil a 96 mil euros.

Somando: a casa de 1 euro custa, na prática, entre 70 mil e 100 mil euros até ficar habitável. E você precisa estar presente, ou pagar alguém de confiança para acompanhar a obra, durante dois anos.

O que você compra por esse dinheiro no mercado normal

É aqui que a conversa fica interessante. Segundo o levantamento que mantemos no observatório de preços, com dados do immobiliare.it de agosto de 2026, o metro quadrado médio na Itália está em 2.209 euros. Mas a média esconde o essencial:

  • Calábria: 968 euros por m²
  • Molise: 1.058
  • Sicília: 1.184
  • Úmbria: 1.189
  • Basilicata: 1.323

Em qualquer uma dessas regiões, 70 mil euros compram um apartamento ou uma casa pronta para morar, com instalação em dia, sem prazo de obra, sem caução e sem risco de orçamento estourado. No nosso portfólio, a maior parte dos imóveis do Piemonte está abaixo de 50 mil euros, e boa parte abaixo de 30 mil, já reformada.

Em outras palavras: o dinheiro que a casa de 1 euro consome em obra é mais ou menos o dinheiro que compra uma casa que já está de pé.

Quando a casa de 1 euro faz sentido

Faz sentido em três situações, e são situações reais:

  1. Você quer o projeto, não só a casa. Tem gosto por reforma, quer escolher cada coisa e vai acompanhar a obra de perto, morando lá ou indo com frequência.
  2. Você tem mão de obra na família. Parente italiano construtor, sócio local, alguém que resolve.
  3. O comune é bom. Há editais em cidades com turismo, serviço e estrada. Há outros em lugares onde não existe padaria. A diferença é tudo.

Não faz sentido se o seu objetivo é ter um imóvel na Itália para usar nas férias, alugar ou simplesmente ter patrimônio em euro. Nesses casos, comprar pronto é mais barato, mais rápido e muito menos arriscado.

O que fazer agora

Se a ideia da casa de 1 euro era, no fundo, "comprar um imóvel barato na Itália", vale olhar o que existe hoje pronto nessa mesma faixa: temos uma página com as casas na Itália até 50 mil euros e outra até 30 mil, com o custo total da compra já calculado em cada ficha.

E se a ideia era mesmo pegar um edital e reformar, o primeiro passo é escolher o comune e ler o edital inteiro antes de se apaixonar pela foto. A gente ajuda nessa leitura, inclusive para dizer quando o negócio não vale a pena.

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