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IMU, TARI e cedolare secca: os impostos anuais de quem tem imóvel na Itália

Comprou, e agora? Os impostos que todo proprietário paga na Itália, como cada um é calculado, quanto custa manter um apartamento pequeno por ano e o que declarar no Brasil.

Equipe Brasilità4 min de leitura
Fachada de um prédio residencial em San Salvatore Monferrato, Piemonte

Os impostos da compra são pagos uma vez. Os de propriedade, todo ano. Eles são poucos, previsíveis e, para a maioria dos imóveis que os brasileiros compram, baixos. Mas precisam estar na conta de quem calcula rentabilidade ou custo de vida.

IMU: o imposto municipal sobre a propriedade

A Imposta Municipale Unica é o IPTU italiano. Ela tem uma particularidade importante: não é cobrada da residência principal (a abitazione principale, desde que não seja de categoria de luxo). Quem mora no imóvel, com residência registrada nele, não paga IMU.

Todo o resto paga: segunda casa, imóvel de temporada, imóvel alugado e, o caso da maioria dos brasileiros, imóvel de quem não reside na Itália.

O cálculo parte da rendita catastale, que está na visura do imóvel:

  1. Rendita catastale × 1,05 (revalorização)
  2. × 160 (coeficiente para imóveis residenciais)
  3. × alíquota do município, que fica entre 0,86% e 1,06%

Um apartamento com rendita de 300 euros tem base de 50.400 euros. Com alíquota de 1%, a IMU anual é de 504 euros, paga em duas parcelas, junho e dezembro.

O município não manda boleto. O proprietário (ou o seu contador) calcula e paga pelo modelo F24. Esquecer gera multa e juros, então quem mora fora costuma delegar isso.

TARI: a taxa de lixo

A Tassa sui Rifiuti financia a coleta de lixo e é calculada pela área do imóvel e pelo número de ocupantes. Para um apartamento de 60 metros quadrados com uma ou duas pessoas, fica entre 150 e 350 euros por ano, variando bastante de município para município.

Diferente da IMU, a TARI é paga por quem ocupa o imóvel. Se ele está alugado, é o inquilino quem paga. Se está vazio e sem contratos de luz e gás ativos, é possível pedir isenção ou redução na prefeitura.

Você precisa se cadastrar na prefeitura depois da compra. Ela então envia a cobrança anual, normalmente em duas ou três parcelas.

Condomínio e contas

Não são impostos, mas são custo fixo:

  • Condomínio (spese condominiali): em prédios pequenos sem elevador, de 20 a 60 euros por mês. Com elevador, aquecimento centralizado e zelador, várias centenas.
  • Luz, gás e água: quem mora paga. Num imóvel vazio, a tarifa fixa dos contratos ativos fica na casa de 15 a 30 euros por mês cada.
  • Manutenção extraordinária: obras no telhado, na fachada ou no elevador são rateadas entre os proprietários. É o custo mais imprevisível e a razão de verificarmos a ata do condomínio antes de cada compra.

Se você aluga: cedolare secca

A renda de aluguel é tributada na Itália. Você tem duas opções:

  • Regime ordinário: o aluguel entra na renda tributável do IRPEF, com alíquotas progressivas, e ainda incide imposto de registro sobre o contrato.
  • Cedolare secca: um imposto único de 21% sobre o aluguel bruto, que substitui o IRPEF e o registro do contrato. Em municípios com acordo territorial, contratos de canone concordato pagam 10%.

Para a maioria dos proprietários não residentes, a cedolare secca é mais simples e mais barata. Ela é escolhida no registro do contrato de aluguel.

Para aluguel de curta temporada (o affitto breve, tipo Airbnb), a cedolare secca é de 21% para a primeira unidade e 26% a partir da segunda alugada no mesmo ano. Além disso, os municípios turísticos cobram uma taxa de estadia dos hóspedes, e é preciso o código identificativo nacional (CIN) para anunciar.

Quanto custa manter, na prática

Um apartamento de 60 metros quadrados, rendita de 300 euros, num prédio pequeno, sem inquilino:

Custo anualValor
IMU€ 504
TARI€ 220
Condomínio€ 480
Contratos de luz e gás (tarifa fixa)€ 400
Total€ 1.604

Alugado por 450 euros ao mês (5.400 por ano), com cedolare secca de 21% e a TARI passando para o inquilino, o resultado líquido fica em torno de 3.300 euros ao ano, antes de manutenção. É uma conta simples, mas precisa ser feita antes da compra, não depois.

E no Brasil?

Se você é residente fiscal no Brasil, o imóvel entra na declaração do Imposto de Renda em Bens e Direitos, pelo custo de aquisição em reais, convertido pela cotação da data da compra. Não há imposto sobre a posse, só a informação.

A renda de aluguel recebida na Itália também é tributável no Brasil. Brasil e Itália têm acordo para evitar a bitributação, então o imposto pago na Itália pode ser compensado. A forma de fazer isso depende do seu caso e vale a conversa com um contador que conheça os dois países.

O que a Brasilità faz

Antes de cada compra, calculamos IMU e TARI com a rendita real do imóvel e colocamos no custo anual que apresentamos ao cliente. Depois da compra, indicamos contadores na Itália que cuidam do F24, da cedolare secca e da declaração para quem não quer se ocupar disso à distância.

Se você está comparando dois imóveis e quer saber quanto cada um custa por ano, manda para a gente. A conta leva dez minutos.

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