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Alugar na Itália sendo brasileiro: contrato, garantia e o que ninguém conta

Por que o proprietário italiano desconfia de quem acabou de chegar, quais são os tipos de contrato, quanto se paga de entrada e como resolver a garantia sem ter fiador italiano.

Equipe Brasilità4 min de leitura

Alugar na Itália é mais difícil do que comprar. Parece estranho, mas é assim: para comprar basta ter o dinheiro e o codice fiscale; para alugar, você precisa convencer um proprietário desconfiado de que vai pagar todo mês, e ele não conhece nem você nem o seu histórico.

Este texto é o mapa do que vem pela frente, escrito a partir do que acompanhamos na prática com famílias brasileiras que acabaram de chegar.

Por que o proprietário desconfia

Não é preconceito, é aritmética. Despejar alguém na Itália por falta de pagamento (o "sfratto per morosità") leva de um a três anos e corre no tribunal. Enquanto corre, o proprietário não recebe e não pode entrar no imóvel. Diante disso, ele prefere alugar para quem tem:

  • contrato de trabalho italiano por tempo indeterminado,
  • ou um fiador italiano com imóvel,
  • ou, na falta dos dois, muito dinheiro adiantado.

Quem chegou há dois meses não tem nenhum dos três. É aí que a busca empaca, não na falta de imóvel.

Os tipos de contrato

4+4 (contratto libero). O padrão da locação residencial. Quatro anos, renovados automaticamente por mais quatro. O inquilino pode sair antes avisando com antecedência, normalmente seis meses. É o contrato que serve para quem vai morar.

3+2 (canone concordato). Aluguel com valor limitado por acordo entre sindicatos de proprietários e inquilinos, em cidades com essa faixa. Costuma ser mais barato e dá vantagem fiscal ao proprietário. Nem toda cidade tem.

Transitorio. De um a 18 meses, para necessidade temporária comprovada. Serve para quem está chegando e precisa de endereço enquanto procura algo definitivo, mas o aluguel costuma ser mais alto.

Para estudante. De seis a 36 meses, em cidade universitária, e exige comprovação de matrícula.

Um detalhe que pega muita gente: o contrato precisa ser registrado na Agenzia delle Entrate. Contrato não registrado é irregular, e sem ele você não consegue residência no endereço, o que trava documento, médico de família e conta em banco.

Quanto custa entrar

A conta típica de entrada, num aluguel de 500 euros por mês:

  • Caução (deposito cauzionale): de dois a três meses, 1.000 a 1.500 euros.
  • Primeiro mês adiantado: 500 euros.
  • Comissão da imobiliária: quando há imobiliária, costuma ser um mês mais IVA, ou de 10% a 12% do aluguel anual.
  • Registro do contrato: imposto de registro de 2% do aluguel anual, dividido entre as partes, mais o selo.

Ou seja, entre 2.000 e 2.800 euros para pegar a chave de um imóvel de 500 euros por mês. Some mobília, se o imóvel vier vazio, o que é comum.

O que resolve a garantia quando não há fiador

Três caminhos funcionam, e já vimos os três darem certo:

  1. Adiantamento maior. Oferecer seis ou doze meses pagos de uma vez costuma destravar. É dinheiro parado, mas resolve a desconfiança na hora.
  2. Fiança bancária ou seguro de locação. Algumas seguradoras italianas emitem apólice que substitui o fiador. Custa um percentual do aluguel anual e o proprietário aceita bem.
  3. Alguém que responda localmente. Um intermediário que conhece o proprietário, apresenta você, confere documentos e acompanha o contrato. É boa parte do que fazemos na assessoria de aluguel.

As contas depois que você entra

Lembre que o aluguel é só a primeira linha:

  • Condomínio, quando não está incluído.
  • Luz e gás. O gás pesa no inverno, no norte. Num apartamento mal isolado, o aquecimento pode custar mais que o condomínio.
  • TARI, a taxa do lixo, geralmente do inquilino.
  • Canone RAI, a taxa da televisão pública, que vem na conta de luz.

Onde procurar

Os mesmos portais da compra, immobiliare.it, idealista.it e casa.it, têm a seção de aluguel, e valem as mesmas regras: ligar funciona, e-mail não. Em cidade pequena, muito imóvel nem chega ao portal, fica no boca a boca e na vitrine da imobiliária local.

No nosso caso, mantemos uma lista de imóveis para alugar que já conferimos, com proprietário que aceita inquilino brasileiro recém-chegado. É uma lista curta de propósito: são os que conhecemos.

Resumindo

Se você vai morar na Itália, comece a procurar aluguel antes de chegar, separe de 2.000 a 3.000 euros para a entrada, decida qual das três garantias você consegue oferecer e tenha o codice fiscale em mãos. E se quiser que alguém faça essa ponte com o proprietário, falando italiano e checando o contrato antes de você assinar, é exatamente isso que a nossa assessoria de aluguel faz.

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