"Quanto custa uma casa na Itália" é uma pergunta sem resposta única, porque a Itália não tem um preço só. Entre o metro quadrado de Milão e o da Calábria há uma diferença de quase seis vezes. Este texto coloca os números lado a lado para você entender onde o seu orçamento cabe.
Os valores vêm do levantamento que mantemos no observatório de preços, com dados do immobiliare.it de agosto de 2026. São preços de anúncio, ou seja, o que o vendedor pede antes de negociar.
As três cidades mais procuradas
Milão: 5.665 euros por m² É a cidade mais cara da Itália, e por motivos sólidos: é onde está o emprego, a universidade que atrai estrangeiro e o aluguel mais alto do país, 22,55 euros por m² ao mês. Um apartamento de 60 m² em Milão sai, em média, por 340 mil euros. A valorização no último ano foi de 2,2%.
Roma: 3.864 euros por m² Um terço mais barata que Milão e subindo mais rápido: 6,3% no último ano. O aluguel médio é de 19,31 euros por m². Sessenta metros quadrados em Roma dão por volta de 232 mil euros, com a ressalva de que em Roma o bairro muda tudo, mais do que em qualquer outra cidade italiana.
Turim: 2.288 euros por m² Aqui a conversa muda. Turim é uma capital de região, com metrô, aeroporto e universidade, custando pouco mais do que a média nacional, que é de 2.209 euros por m². Os mesmos 60 m² saem por cerca de 137 mil euros, quase metade de Roma. E foi a que mais valorizou das três: 9,1% no ano.
O que explica a diferença
Não é só "centro e periferia". São três fatores:
- Emprego. Milão concentra sede de empresa, e isso puxa preço de compra e de aluguel junto.
- Turismo. Roma, Florença e Veneza têm uma camada de demanda que não existe no interior, e ela sustenta preço mesmo quando a população local diminui.
- População. Boa parte do interior italiano perde gente há décadas. Casa sobrando e comprador faltando derruba o preço, e é exatamente isso que abre a janela para quem vem de fora.
Onde o mesmo dinheiro compra o dobro
Olhando por região, o mapa fica assim (preço médio do m², agosto de 2026):
| Região | € por m² |
|---|---|
| Calábria | 968 |
| Molise | 1.058 |
| Sicília | 1.184 |
| Úmbria | 1.189 |
| Basilicata | 1.323 |
| Abruzzo | 1.424 |
| Média da Itália | 2.209 |
| Turim (cidade) | 2.288 |
| Roma (cidade) | 3.864 |
| Milão (cidade) | 5.665 |
Os 232 mil euros de um apartamento de 60 m² em Roma compram, na Calábria, algo em torno de 240 m². Na prática, uma casa inteira com quintal e sobra de dinheiro.
Esse é o raciocínio que leva quase todo brasileiro que nos procura para o mesmo lugar: não a cidade do cartão-postal, e sim a cidade média, bem servida, a uma ou duas horas dela. No nosso portfólio isso aparece com clareza, a maior parte dos imóveis está no Piemonte, a uma hora de Turim e a pouco mais de Milão, com apartamento reformado abaixo de 50 mil euros.
O preço do anúncio não é o custo
Dois avisos que mudam a conta final.
Primeiro: sobre o preço incide o custo da compra. Imposto de registro, notaio e honorários somam algo em torno de 12% em imóvel de valor baixo, e proporcionalmente pesam mais quanto mais barato é o imóvel. Detalhamos item por item em quanto custa comprar um imóvel na Itália.
Segundo: depois da compra existe o custo anual. IMU (quando não é residência principal), TARI do lixo, condomínio e, se você alugar, o imposto sobre o aluguel. Está tudo em IMU, TARI e cedolare secca.
Como usar esses números
Se o seu orçamento é de até 50 mil euros, olhar Roma e Milão é perder tempo: nessas cidades esse valor não compra nem uma quitinete. O caminho é região com preço baixo e cidade com serviço.
Se o orçamento é de 150 mil para cima e o objetivo é alugar para estudante ou profissional, Turim e Bolonha mudam de figura, porque ali existe demanda de aluguel o ano inteiro.
E se o objetivo é renda de temporada, o que manda não é o preço do m², é o fluxo de turista: uma casa de 60 mil num comune com movimento rende mais que uma de 200 mil onde ninguém passa.
Para ver o que existe hoje dentro do seu número, separamos o portfólio por faixa: até 30 mil, até 50 mil e até 100 mil euros.